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Edu Monteiro

Biografia

Edu Monteiro é artista, fotógrafo e pesquisador. É doutor em Artes pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense – UFF (2013) e possui formação em Artes e história visual pelo museu Jeu de Paume em Paris (2017).  É autor dos livros Autorretrato Sensorial (Pingadoprés, 2015) e Saturno (Azougue Editorial, 2014). Sua última exposição individual Costas de Vidro foi realizada em agosto de 2018 na Z42. Um recorte desta mostra foi exposto no China Art Museum, como uma das exposições integrantes do Shanghai International Photography Festival de 2017. Em outubro de 2018 Edu abre a exposição Saturno em Taipei na Zhongzheng Art Gallery no National Grade Museum, a mostra fará parte de uma série de exposições sobre a fotografia contemporânea latino-americana.

Texto 

Costas de Vidro, de Edu Monteiro

 

[ilha-terreiro]

É simples a imagem com a qual Edu Monteiro apresenta Costas de Vidro. Nela, um homem afrodescendente parcialmente imerso na água segura um tambor. A tensão da pega parece visar menos a proteger o tambor do encontro com a água e mais a trazê-lo junto, conectá-lo a si. De tal modo que corpo humano e tambor tornam-se um a extensão do outro. Fazendo as vezes de tronco e cabeça, o tambor ultrapassa a condição de objeto. Dando braços e pernas ao artefato de madeira, ferro, sisal e couro, o homem amplia atributos e habilidades. Mais do que se justapor ou articular, eles se fundem, passam a ser um único ser. Redução multiplicadora – um que é muito mais. A imagem é sonora. E não apenas pela dominância axial do tambor. Querendo, pode-se ouvir a marola do mar, uma suave brisa, o roçar da pele na madeira. E mais, pois a foto ressoa além do visível.

É um navio negreiro. Não! É um corpo síntese, índice de milhões de pessoas, tanto das que sucumbiram ao tráfico negreiro quanto das que sobreviveram, vivenciaram e venceram a escravidão.

É uma ilha. É Gorée, Martinica, Cuba, Itaparica, Haiti e Santo Domingo, São Luís, São Tomé e Príncipe, Jamaica e tantas outras na diáspora. É o arquipélago de Cabo Verde. É a América, unificada de Sul a Norte pela negritude com a qual o Atlântico indelevelmente lhe tingiu. É um terreiro flutuante. Nele, se trabalha. Mas também se luta, dança e ora, praticando ladja, laamb, capoeira, bélé, jongo, samba, candomblé, candombe, batuque, santería, tambor de mina, Xangô, terecô, omolocô, umbanda, mandinga, macumba.

Aparentemente estática, a imagem ginga, reverberando África mundo afora.

 

Roberto Conduru