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Ilha 03 | Lívia Flores

(07  a 28 de junho de 2018)

O vermelho do urucum macerado se espalha pela cerâmica fazendo da superfície antes lisa e estável do vaso um lugar transitório. O objeto acumula o movimento de Livia Flores mas a artista parece não querer o transformar em algo e sim alcançar um registro possível dessa mutua influência.

O acontecimento, banal ou enigmático, corriqueiro ou extraordinário, desliza entre o memorável e a desconsideração. Nos despedimos espontaneamente de um em prol do outro. A experiência e a narrativa parecem, muitas vezes, se anular. Mas quando um mundo não se faz por história mas é, a todo tempo, história e não história, sem distinção, entregamos nova importância e afeto ao que nos sucede, desfazendo ao mesmo tempo hierarquias materiais e simbólicas.

Esse momento, onde as mediações cessam de legislar e ingressamos num campo vibrátil estético, é via fértil para o trabalho de Livia Flores. Hesitar e constatar não são, para ela, contradições. Ao contrário, abrem um novo repertório para pensar as passagens entre mídias, como filme e fotografia, e deslocamentos entre diferentes regimes de inscrição da memória como sonhos, textos e até tecidos.

Ilha 03: Livia Flores se configura como lugar instável onde as evidências e o invisível coadunam. São encontros regidos por correspondências. Um prato quebrado age como um relógio marcando não as horas, mas uma rotação alfabética. Em um único giro entendemos o discreto agenciamento entre alimentação e tempo, trabalho e educação.

Em ‘Trabalho de greve’ (2012), o que poderia ser discursivo ou escultórico aparece de modo difuso em um jogo de dependências e implicações entre o gesso, o cobertor de obra/de rua, e a manipulação da artista. Livia Flores tenciona assim o limite formal da experiência a partir de uma intricada atuação entre um campo público de forças e a latência da subjetividade.

curadoria | João Paulo Quintella  /  curadora assistente | Ana Bourdagohe